Festival de Inverno 2011 Campos do Jordão

Mais do que promover uma série de concertos, a 42ª edição do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão quer se consolidar como um evento de formação que prepara jovens músicos para o mundo profissional.

 

Com data marcada para acontecer de 1º a 24 de julho e apresentações em São Paulo, Campos do Jordão e mais outras quatro cidades do interior do Estado, são elas: Piracicaba, Santos, Jundiaí e Santo André. A ideia é expandir as fronteiras do festival para além da cidade sede, dentro do conceito “Festival City”, já utilizado pelos maiores festivais do planeta.


 

Com um orçamento mais curto de R$ 5,1 milhões contra R$ 5,6 milhões em 2010 e menor número de apresentações, serão 55 concertos, contra 84 apresentações em 2010.

 

O festival promete manter a qualidade. “Estamos nos adaptando à realidade orçamentária. O ano de 2010 foi atípico. Em 2011 voltamos ao normal, inclusive no número de dias do festival, já que no ano passado tivemos uma semana a mais de concertos”, afirmou o diretor artístico-pedagógico da Santa Marcelina Cultura e responsável pelo festival, Paulo Zuben.

 

Já o número de concertos da Orquestra do Festival, que desde o ano passado é formada somente por alunos, aumentou. Serão sete concertos ao invés dos três realizados em 2010. Uma avant premier marcou a abertura do festival no dia 1º de junho em São Paulo com uma récita gratuita na Paróquia São Luís Gonzaga.

 

Serão três dos “Concertos de Brandenburgo”, de Bach, regidos por Luiz Otavio Santos. Já em Campos do Jordão, a tradicional abertura com a Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), será realizada no dia 2 de junho, no auditório Cláudio Santoro, sob regência de Frank Shipway. Os concertos também serão realizados ao ar livre na Praça do Capivari, na Capela do Palácio da Boa Vista e em três igrejas de Campos do Jordão. Em São Paulo, a Sala São Paulo e o Masp (Museu de Arte de São Paulo) receberão as atrações do festival.

 

Tema


“Contraste” será o tema desta edição do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão. Em seu sentido mais amplo, quer mostrar que as diferenças dialogam entre si. “Essa percepção se dará por meio de peças de um mesmo compositor, mas totalmente distintas ou até mesmo de um determinado período que parece de outro.


Como é o caso de Beethoven que possui obras consideradas românticas escritas num período clássico”, afirmou Zuben. O festival trará também o contraste social entre o público do festival e os moradores da cidade. “Desde 2009, quando assumimos o festival, buscamos nos envolver com a necessidade da cidade. O público é muito bem recebido durante o festival, mas a realidade da cidade durante o ano é bem contrastante. Queremos provocar nas pessoas a percepção dessa realidade”, declarou o diretor artístico-pedagógico. Segundo Zuben, para atender justamente essa população é que a programação será acessível com metade dos concertos gratuitos e outros com preços populares.


Além disso, 360 crianças e jovens da comunidade terão aulas de musicalização e cerca de 100 professores serão transformados em multiplicadores de conhecimento com um curso de extensão universitária desenvolvido em conjunto com a Unesp (Universidade Estadual Paulista).


A ideia é também levar a música a lugares como asilos, hospitais e creches, possibilitando ao artista desenvolver um olhar para a comunidade carente. Dentro desse formato, que contempla a responsabilidade social e a difusão artística, está ainda a formação musical. O festival de inverno, como em todos os anos, receberá 160 alunos bolsistas vindos de todo o Brasil e Américas, que durante o período, vivenciam uma imersão em sua formação musical com alguns dos melhores professores do mundo por meio de aulas, master classes, palestras, prática de música de câmara, ensaios, apresentações, além de livre acesso a todos os concertos.


Eles também concorrem a vários prêmios em dinheiro, sendo o principal deles, o Prêmio Eleazar de Carvalho, que financia uma bolsa de estudos no valor de R$ 48 mil em qualquer universidade do mundo para o melhor bolsista. “Contaremos com a presença de mais de 60 professores, metade deles estrangeiros. O festival é realmente uma vitrine, uma porta de saída para que os músicos consigam audições e até bolsas fora do Brasil”, afirmou Zuben.


A itinerância da Orquestra do Festival que neste ano fará apresentações em quatro cidades do Estado, além da récita, no dia 24, na Sala São Paulo, tem como objetivo ampliar os palcos e a visibilidade do festival e o conceito para os próximos anos, realizando parcerias com outras cidades do Estado e até do Brasil.


Atrações


Além da Orquestra do Festival, regida por Cláudio Cruz, spalla da Osesp e regente titular da Sinfônica de Rio Preto, alguns dos melhores grupos de câmara do mundo também serão destaques nesta edição. O Zukerman Chamber Players, liderado pelo violonista israelense Pinchas Zukerman é um deles. O Imani Winds e o Ma’Alot, respectivamente os melhores quintetos de sopros dos EUA e da Alemanha e o Quarteto Arditti, que é referência mundial em música contemporânea para cordas, também marcarão presença.


Entre as orquestras, estão a Petrobras Sinfônica com Antonio Meneses, a Filarmônica de Minas e a Orquestra do Porto Casa da Música, de Portugal, entre muitas outras atrações. A expectativa para 2011 é ampliar a média de ocupação dos espaços, principalmente nas segundas e terças-feiras, já que no ano passado, a média foi de 124%. A maior plateia é na Praça do Capivari, na região central de Campos do Jordão, onde um concerto consegue reunir de 2.500 a 3.000 pessoas. Só no ano passado 42 mil pessoas assistiram aos concertos realizados no local.

Fonte: Da redação
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