Testes do Peugeot 508 em Campos do Jordão

Primeiras impressões: Peugeot 508

Motor 1.6 quebra paradigmas, enquanto soluções internas o diferenciam

 

 

DO AUTO ESPORTE

Enquanto a Peugeot ainda patina para oferecer uma oferta de produtos nacionais competitiva, entre os importados a marca francesa dá outra tacada certeira: depois do 3008 – que trouxe novos parâmetros para a categoria dos crossovers – e do RCZ – cupê atraente de desempenho verdadeiramente esportivo –, chega a hora de voltar ao segmento de sedãs grandes com o 508, que não só substituiu o 407 de maneira exemplar, como pode, dependendo da lábia da Peugeot, fazer balançar os fãs irredutíveis de Hyundai Azera e Volkswagen Passat.

Quem é o 508?
De mãos dadas com o 208, o 508 tem a missão de propagar pelo mundo a nova identidade visual da Peugeot, que mantém a grade avantajada e os faróis espichados, mas agora dispostos de maneira mais elegante – e ainda assim, imponente, graças ao capô cheio de vincos. Na traseira, outro momento de inspiração, com grandes lanternas avançando pelas laterais e para-choque “grudado” na carroceria. Impossível não lembrar da segunda geração do Audi A6 (1997 a 2004), onde para-choque e carroceria, visualmente, eram uma coisa só.

Ao lado do Kia Optima, é o sedã mais bonito da categoria, sem os exageros estéticos de validade prestes a vencer do Hyundai Azera ou a sisudez do Volkswagen Passat.

Os sinais que remetem a carros alemães não param por aí. Ao entrar no 508, o motorista perde alguns segundos até encontrar o botão de partida do seu lado esquerdo, assim como manda a tradição nos Porsches. É o primeiro de uma série de recursos que tornam o 508 um carro especial. Outro é a alavanca do câmbio, de visual ímpar e excelente pegada – servida à mão do motorista pelo console mais elevado. E a linha que vai do painel de instrumentos, com velocímetro e conta-giros em peças separadas, até a extremidade direita lembra claramente o Volkswagen Passat.

É injusto dizer, no entanto, que o 508, que tem também motor desenvolvido por BMW e Peugeot, só ficou tão bom por trazer algumas referências alemãs.

No mais, posição de dirigir acima da média, ergonomia idem, com regulagens elétricas obrigatórias nessa categoria. O volante tem o diâmetro certo, bom tanto para dirigir devagar, quanto convidativo para uma tocada mais esportiva. Pode assustar um pouco pela quantidade de botões, mas todos têm o símbolo de suas funções e seu manejo é intuitivo.

O acabamento é digno de carros da Peugeot, com materiais de qualidade e construção esmerada. Bancos bem recheados, espaço farto para todos ocupantes, som premium da JBL e ar-condicionado de quatro zonas completam o que se espera de um sedã grande.

Como anda?

O 508 é inédito, mas seu motor, não. Só nos últimos lançamentos acompanhados pelo G1, o 1.6 THP (Turbo High Pressure) apareceu duas vezes: no Citroën DS3 e no BMW Série 1. Brilhante em carros compactos – ele também aparece em toda a gama Mini –, o pequeno bloco de 165 cavalos e 24,5 kgfm de torque pode parecer inadequado a um sedã de 4,79 m de comprimento. Puro preconceito: o 508 anda tanto quanto o antigo V6 do 407, bebendo menos.

O G1 experimentou o 508 por cerca de 100 km, em estrada bem pavimentada até Campos do Jordão, em São Paulo. É difícil imaginar um carro equipado com o motor 1.6 THP e o câmbio automático de seis marchas que seja ruim de guiar, e o 508 confirma essa tese. Bom (mas não tão emocionante quanto um VW Passat, com 211 cv) de arrancadas e melhor ainda em velocidades de cruzeiro, o novo Peugeot impressiona pelo silêncio a bordo e pela solidez no rodar.

Mais uma vez, motor e câmbio se mostraram entrosados. As trocas são suaves, o giro cai pouco, e os paddle-shifts fixos na coluna de direção, artigo raro hoje em dia, ajudam a tornar a experiência de dirigi-lo mais divertida. Na cidade, obediência às investidas no acelerador.

Ficam duas impressões: o 1.6 calibrado para render 200 cv, indisponível no sedã mesmo lá fora, seria mais divertido, mas de maneira alguma obrigatório. Por outro lado, é notório que os 165 cv são o mínimo que o 508 precisa para andar com eloquência e o mínimo de diversão. Ou seja, em nenhum momento falta motor, mas tampouco sobra.

Ainda que seja macio e absorva as irregularidades do piso sem transmiti-las aos ocupantes, o sedã é firme nas curvas – tanto nas abertas, de alta velocidade, quanto nas mais fechadas, de baixa, onde a direção se mostrou muito precisa. E o head-up display, que já era bom no 3008, ficou melhor no 508, agora que é colorido e traz informações do navegador.

Mercado

Segundo a Peugeot, 85% dos compradores do 508 são homens, dos quais 82% são casados e com filhos (81%). Para esses, é bom que os 473 litros do porta-malas sejam suficientes, porque a importação da versão perua do modelo está descartada. “Os SUVs e crossovers tomaram o lugar das peruas no mundo todo. Não vale a pena trazer a versão perua de um carro que já tem o volume de comercializações baixo”, explica ao G1 Frederico Battaglia,diretor de Marketing da Peugeot do Brasil. A expectativa da marcar é vender 200 unidades até o final do ano, e em 2013 emplacar de 30 a 40 carros/mês.

Quanto a um possível aumento no preço de R$ 119.990 (baseado na atual alíquota do IPI, que até o fim de agosto é reduzida de 43% para 36,5% para carros de 1.000 cm³ a 2.000 cm³ importados de fora do México e Mercosul, categoria na qual se encaixa o 508, importado da França), Battaglia afirma não ter previsões, por enquanto.

A resposta para quem pergunta se deve investir no 508 e quebrar o paradigma de andar num sedã grande com motor de 2 litros é sim. E quem recorrer à (discutível) ausência de tradição da Peugeot na categoria para contestar sua compra deve ponderar: as coreanas, outrora sem tradição nenhuma nesse segmento, hoje nadam de braçada.
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